Tradução

terça-feira, 31 de maio de 2011

Aurora de Nova York - lorquiana de Marta Rezende

A aurora de Nova York geme. 1930. Choro por Lorca e sua tristeza Dali. 2010. Tento esquecer meu amor de lá. Momentos das coisas secas.  Amores desfolhados em plenas crises. Não há angústia comparável.

Lorca - poemas para niños - Canción tonta



YERMAS   
Marta Rezende
para a atriz
 Domitila do Amaral
(in memorian)
Embarazadas de Lorca, 
 bajo la luna
parimos
poemas para niños
almohadas bordadas.



Ian Gibson, biógrafo de Lorca

" Mataram Lorca pelo prazer de matar... "

 






Canções populares de Lorca - La tarara


LA TARARA

La Tarara, sí;
la tarara, no;
la Tarara, niña,
que la he visto yo.

Lleva la Tarara
un vestido verde
lleno de volantes
y de cascabeles.

La Tarara, sí;
la tarara, no;
la Tarara, niña,
que la he visto yo.

Luce mi Tarara
su cola de seda
sobre las retamas
y la hierbabuena.

Ay, Tarara loca.
Mueve, la cintura
para los muchachos
de las aceitunas.


Cantares populares de Garcia Lorca - Los cuatro muleros

Los cuatro muleros

1

De los cuatro muleros
que van al campo,
el de la mula torda,
moreno y alto.

2

De los cuatro muleros
que van al agua,
el de la mula torda
me roba el alma.

3

De los cuatro muleros
que van al río,
el de la mula torda
es mi marío.

4

¿A qué buscas la lumbre
la calle arriba,
si de tu cara sale
la brasa viva?


Lorquianas de Jorge Bichuetti



CÍRCULO VITAL
                                                        Jorge Bichuetti

Um cavalo anda-luz
martela o horizonte
e cava no chão nu
a cova onde brotará
da semente a flor-de-lis...

Um poeta e u'a flor
solfejam na alvorada
o verso que era luar
e que na ode solar
será a cantiga do dia...

Noite e dia - a vida
roda na ciranda
da poesia. Floresce
novas belas paisagens
no cavalgar da alegria...



HAIKAIS
                                           
 LUARES LORQUIANOS
                                                                       Jorge Bichuetti

Lorca sussurrava
nas linhas da vida nascente:
ecos do porvir...
***
nas noites de luar,
entre sombras estelares:
voa um devir Lorca...


Tributo de Lorca a Santiago - Tributo de Santiago a Lorca


Madrigal á cibdá de Santiago

Chove en Santiago
meu doce amor.
Camelia branca do ar
brila entebrecida ô sol.

Chove en Santiago
na noite escrura.
Herbas de prata e de sono
cobren a valeira lúa.

Olla a choiva pola rúa,
laio de pedra e cristal.
Olla o vento esvaído
soma e cinza do teu mar.

Soma e cinza do teu mar
Santiago, lonxe do sol.
Agoa da mañán anterga
trema no meu corazón.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Bodas de Sangre


Para ler Bodas de sangre, na íntegra, em espanhol, clique aqui:

Cenas de Bodas de Sangre, filme de Carlos Saura,
baseado na peça de Lorca,  
com Antonio Gades e Cristina Arroyos



Lorca e Bodas de Sangre
Bodas de sangre, fue escrita a partir de un hecho policial real: una novia se fugó con un hombre el día de su boda, y para vengar su honor, el novio asesinó al amante. Claramente puede apreciarse que la temática de la obra girará acerca del honor, la venganza y también la pasión. La “sangre” del título alude a distintos motivos: la sangre es la propia familia, la sangre es el ardor pasional imposible de refrenar, la sangre también es la muerte y la violencia.
Lola Membrives e Lorca na centésima apresentação de Bodas de Sangue - Buenos Aires
1933
8 de março – Estréia Bodas de Sangre, no Teatro Beatriz, de Madri, com Josefina Diaz de Artigas

5 de julho – Lola Membrives estreou Bodas de Sangre em Buenos Aires, repetindo o sucesso alcançado em Madri, em março do mesmo ano; após uma turnê por algumas cidades argentinas, voltou ao cartaz no Teatro Avenida
29 de setembro – Parte no navio Conte Grande para a Argentina, onde Bodas de Sangre estava fazendo muito sucesso
9 de outubro – O navio aporta no Rio de Janeiro; aguarda-o o escritor e embaixador mexicano no Brasil, Alfonso Reyes, que conhecera em Madri e que lhe oferta os primeiros exemplares de Oda a Walt Whitman, que conseguira imprimir no México
11 de outubro – Aportou em Santos por algumas horas
13 de outubro – Chega a Buenos Aires – conhece Pablo Neruda e tornam-se grandes amigos; tinham em comum a admiração pelo poeta nicaragüense Rubén Darío


1934
30 de janeiro – Chega a Montevidéu, onde fica até 16 de fevereiro, quando retorna a Buenos Aires
27 de março – Parte para a Espanha no navio Conte Biancamano
30 de março – Aporta novamente no Rio de Janeiro, encontra-se de novo com Alfonso Reyes, que desta vez lhe presenteia com uma caixa incrustada com borboletas
11 de abril – Chega a Barcelona e vai direto para Madri.



Bodas de Sangre
gravura Gregório Gruber




Lorca - Romance Sonâmbulo



"Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga."


Federico Garcia Lorca
Romance Sonâmbulo






 

Jorge Bichuetti: para Lorca e lorquianos





POEMA PELA LIBERDADE
                                                                         
Jorge Bichuetti 

                                                         ( para Lorca e lorquianos.)



Verde que te quero rosa que te quero azul
                                     que te quero negro
                                                         branco
                                                         amarelo
                 vermelho
              belo e Lorca
              beco e Lorca
                                 um luar surreal
                                 uma carícia sensual
                                 uma poesia plural
para que a vida
não mais seja
                   metralhada
                                 na paulicéia
                                 na galiza no quintal
                                 na espanha solar
na porta
na praça
          na rua
          na lua
na vida nua dos sonhadores...

Verde que te quero Lorca
na Porta do Sol
                   um deus
onde anjos cantarolam
a  liberdade civil
corpos andarilhos
céu e estrelas 
                      flores corporais
                                            gritam
                                            gritam:
agora já é
um lorquiano
                   devir
                       porvir
                           bem-te-vi....


domingo, 29 de maio de 2011

LORCA E DALÍ

Ode à Salvador Dalí 

 Frederico Garcia Lorca


Oh! Salvador Dalí, de voz azeitonada!
Digo o que me dizem a tua pessoa e teus quadros.
Não te louvo o imperfeito pincel adolescente,
mas canto a firme direção das tuas flechas.

Canto teu belo esforço pelas luzes catalãs,
teu amor ao que tem explicação possível.
Canto teu coração astronômico e terno,
de baralha francesa e sem nenhuma ferida.

Canto a ânsia de estátua que seus personagens sem trégua,
o medo à emoção que te aguarda na rua.
Canto a sereiazinha do mar que te canta
montada na bicicleta de corais e conchas.

Mas antes de tudo canto um comum pensamento
que nos une nas horas escuras e douradas.
Não a Arte a luz que nos cega os olhos.
É primeiro o amor, a amizade e a esgrima.

É primeiro o quadro que paciente desenhas
o seio de Tereza, a de cútis insone,
o apertado cacho de Matilde, a ingrata,
nossa amizade pintada como um jogo de oca.

Sinais datilográficos de sangue sobre o ouro
risquem o coração da Catalunha eterna.
Estrelas como punhos sem falcão te relumbram,
enquanto tua pintura e tua vida florescem.

Não olhes a clepsidra com asas membranosas,
nem a dura gadanha das alegorias.
Veste e desnuda sempre o teu pincel no ar,
ante o mar povoado com barcos e marinheiros.

Lorca I


"La luna en el mar riela,
en la lona gime el viento
y alza en blando movimiento
olas de plata y azul"
Federico Garcia Lorca
Luz y panorama de los insectos
Poema de amor





"Cuida tus pies, amor mío, ¡tus manos!,
ya que yo tengo que entregar mi rostro,
mi rostro, ¡mi rostro!, ¡ay, mi comido rostro!"

Lorca com cajamanga - receita do Jorge Bichuetti

Marta, faço um tira-gosto de manga, cajamanga e goiaba ( verdolentos) com sal, pimnenta verde e do reino... Que delícia! Vamos fazer... abraços com carinho, Jorge

Jorge CAJAMANGA é a fruta mais deliciosa do mundo!!!!!!!!!!!!!! E como eu já derrubei cajamanga!!!!!!!!!!

Tô lançando uma idéia Jorge, pro Utopia Ativa e todos os amigos poetas não poetas todos que quiserem participar de uma homenagem a Lorca. vamos começar. tô começando. pode ser destacando poemas ou trechos de poemas, criando poemas para lorca, fotos desenhos tudo sobre Lorca. começa hoje e vai até o aniversário (dia 04 de junho)  e termina com seu drinque de  manga cajamanga e goiaba. com bolo!!!!!!!!!!!!!ok? topa? 

Beijos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...
Marta, como é bom o dulcificado na ternura sem perder o sal e a pimenta, não amiga?
Abraços e um domingo cheio de alegrias; jorge

Marta disse...

Jorge querido, meu apelido de menina, dado pela minha mãe: PIMENTINHA.
E muitas vezes meu pai gargalhava quando alguém dizia  com muita ênfase PAZ ou HARMONIA. 
Sabedorias sertanejas do DEVIR VEGETAL E DO DEVIR ANIMAL.
Bom dia pra vc, Jorge, e pra Lua e pras rosas e pros álamos.

Gosto

Gosto de doce, mas gosto sobretudo de doce acompanhado do amargo. Café sem açucar com bolo. Chocolate meio amargo. Coisas assim que moderam a doçura. E muitas vezes gosto mesmo do puro amargo.

Gostoso dar uma saída, navegar em outros mundos. Fui jantar na casa de um amigo que fazia aniversário. Havia uma doçura excessiva pro meu gosto nos papos correntes: uma clamação pelo humanismo, o doce mais doce que a batata doce.  Gosto não se discute...  Fiquei ouvindo e bebendo uma deliciosa cerveja amarga. Não esperei o bolo.

sábado, 28 de maio de 2011

As pedras no caminho

Planejei um dia com Simone de Beauvoir. Velhice. Não tem nas livrarias. Esgotado. No problem. Aliás, melhor, menos gastos. Afinal, tenho tantos livros, dá para passar uma vida inteira só lendo. E na internet têm tantos outros mais, free. Comecei a tarde com um velhinho maravilhoso: Gaston Bachelard: A terra e os devaneios do repouso. Dá-lhe pedra. Quanto poesia há na pedra. Atração pela pedra na misteriosa Terra. Outros velhinhos foram vindo.  Um deles: Gaudi. Outro deles: Manoel de Barros. Outra: Adélia Prado. Outro: Antonio Candido. Outro: Anônimo. E mais, e mais... Eles não param de chegar com suas pedras,  martelos e penas. Poesia, romances, ensaios, catedrais, pontes, calçadas, passarelas... Nem sei mais o que fazer com eles e elas. Uma festa. Bacanal de velhinhos. Fantasia, produtora das mais sofisticadas. 

VELHICE

Olhando minhas fotos de várias décadas , vi que está na hora de ler VELHICE da Simone de Beauvoir. Demorou? Li esse livro quando jovem, mas não pudia entender, não pudia entender direito. A arrogância e potência da juventude não permitem compreender muita coisa. 

Me sinto moça, apesar da rápida e decepcionante derrocada do corpo. Minha moça ousadia ficou lendo madrugada o livro da juventude, MIL PLATÔS. Esse livro já foi difícil para mim, hoje o leio dando gargalhadas, e às vezes choro, com tanta beleza e sabedoria de Deleuze e Guattari. Toda vida é um processo de demolição...  

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Brincadeiras

Não gosto de brincar com o amor.
Adoro brincar no amor.
Já fui do biloquê.
Hoje estou mais bambolê.
Não me venha com esse papo
viciado de ponto G.
Minha gramática do tesão
vai do A ao Z.
Pego fogo no B dos beijos.
No M viro aquela florzinha bonita,
Maria sem Vergonha.
Ai meu Zeus.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Utopia Ativa

A utopia é um não lugar.
Já a Utopia Ativa é um projeto, um lugar.
E é luta, solidariedade, poesia, acolhimento, educação, ecologia...
E é sangue, suor, lágrimas, risadas compartilhadas...
E é também computador, tecnologia, blog, livros, música, aparelho de som, cine clube...
E é Deleuze, Guattari, Sartre, Paulo Freire, Foucault, Che Guevara, Lorca, Neruda e tantos mais...
E é real e é surrealismo.
E é mais, é trabalho, comidas, gastos, alguéns que pagam as contas...
E é sonhos, e é noites sem dormir, madrugadas chuvosas e enluaradas...
E a Utopia Ativa é rizoma na prática e na teoria, praxis revolucionária, finalidade do conhecimento.
E é por isso que o Jorge Bichuetti pode contar comigo pro que der e vier.
E eu sou apenas um E no meio de tantos E E E E E E E E E E....
E eu sou alguém que gosta de rock, jazz, samba, bolero e até de  iê-iê-iê.


“... o que os intelectuais descobriram recentemente é que as massas não necessitam deles para saber; elas sabem perfeitamente, claramente, muito melhor do que eles; e elas o dizem muito bem. Mas existe um sistema de poder que barra, proíbe, invalida esse discurso e esse saber. Poder que não se encontra somente nas instâncias superiores da censura, mas que penetra muito profundamente, muito sutilmente em toda a trama da sociedade. Os próprios intelectuais fazem parte deste sistema de poder, a idéia de que eles são agentes da “consciência” e do discurso também faz parte desse sistema...”. Michel Foucault

“Uma teoria é como uma caixa de ferramentas. Nada tem a ver com o significante… É preciso que sirva, é preciso que funcione. E não para si mesma. Se não há pessoas para utilizá-la, a começar pelo próprio teórico que deixa então de ser teórico, é que ela não vale nada ou que o momento ainda não chegou." Gilles Deleuze

Fonte das citações:
Os intelectuais e o poder - Conversa entre Michel Foucault e Gilles Deleuze (trad. Roberto Machado)

Gostar

Jorge, Jorge Bichuetti, gosto de jiló, de melancia, de tanta coisa gostosa. Mas o que mais gosto mesmo não é de coisa, é de gente. Gosto gosto gosto muito mesmo d´ocê. E tenho aprendido, a duras penas, que a gente pode gostar mesmo não sendo gostada, sem contrapartidas, sem sacrifícios, sem cobranças, sem desesperos.  É gostar gostar gostar. Gostar de gente que gosta como ocê.

Osho e Nietzsche

Osho respeita o Nietzsche, considera-o em inúmeras de suas palestras. Mas há um texto dele sobre Nietzsche muito equivocado. Faz uma confusão danada entre Nietzsche e o nazismo e considera o mais importante livro de Nietzsche  o VONTADE DE POTÊNCIA. Tá aí a razão da confusão. Esse livro não foi publicado pelo Nietzsche. Foi editado pela irmã, aquela que doou a bengala de Nietzsche ao Hitler e foi casada com um nazista. Mas Nietzsche foi visceralmente contra o antisemistismo, sendo essa uma das razões do seu rompimento com Wagner. E Nietzsche foi contundente crítico do "espírito" alemão, que mais tarde, criaria Hitler e o nazismo. Morreu antes, bem antes,  de acontecer a tragédia que anunciou. E no Ecce Homo está bem claro a sua declaração de ser a irmã e a mãe os terrores da sua vida. Elas o protegeram? É,  "protegeram", daquele jeito horrível que as famílias, especialmente as mulheres,  costumam "proteger". Como diz o Roberto Freire (o psicanalista da somoterapia) diz: amor de mãe pode matar mais que bomba atômica. Que me perdoe a minha mãe, as mães, eu mesma que sou mãe. Mas é preciso saber ser mãe, é preciso saber proteger sem matar. E é preciso desmistificar esse papo de amor de mãe e amor de irmã.   

Deleuze, Nietzsche e o jiló

Dialogozinho inho inho
- Não gosto do Nietzsche. Detesto o Deleuze.
- É mesmo?  E o que foi que você leu deles?
- Não quero saber, não li, não vou ler, não gosto, detesto.
- Ah, sei. Será que posso dizer que você tem medo do desconhecido?
- Eu? De jeito nenhum, sou um cara destemido.
- Como é, então, que fala que detesta sem conhecer?
- É como jiló. Me falaram que é amargo, então nunca comi.
- Detesmido e tem medo de jiló? Pois eu adoro jiló, jilózinho, amargo, amarguinho,  que gostoso, gostosinho.

Palavras de ordem

Toda palavra é palavra de ordem, mas há a palavra que é contra a palavra de ordem: 
arte, invenção, fuga, subversão!!!
Se a arte, a invenção, a fuga e a subversão tornam-se palavras de ordem também, inventemos outras que sejam:
 arte, invenção, fuga, subversão!!!
O eterno retorno da diferença.

Código florestal

Presidenta Dilma, use seu poder e vete o abusado, destrutivo, FASCISTA Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados. Os lobbies do agronegócio não podem passar sobre nós, sobre o povo da terra, sobre o povo sem terra, sobre a NOSSA TERRA.
Não passarão! 

A baita duma reiva que me dá essa sacanagem que a imprensa mardita faz com Heloisa Ramos

Não conheço Heloisa Ramos, nuca a ví, portanto, não estou defendendo uma amiga. Estou nos defendendo da mídia que ousa achincalhar uma pessoa com propósitos políticos. Para atingir o governo, colocam na fogueira (como a Inquisição fazia com as  "bruxas") uma pessoa, uma profissional e seu trabalho sério e criativo. A fogueira contemporânea é a edição. Editam as matérias de modo a queimar a pessoa e sua obra. E o rebanho vai atrás.
O livro de Heloisa Ramos, "Por uma vida melhor" é muito interessante, bem construído, com propósitos educacionais honestíssimos. Mas eu não vou escrever uma resenha sobre ele. Quem quiser que vá atrás, leia e confira o livro com o que a imprensa mardita vem falando e escrevendo (liderada, claro!, pela Veja e pela CBN, a mídia dos médios).  
As pessoas que reproduzem cegamente o que os jornalistas dizem desse livro, deveriam ter vergonha de formar opinião em cima de uma ou duas frases destacadas do livro destinado a  adultos excluídos por não saberem ler e escrever...  Eu que sei (mais ou menos) ler e escrever, gostei muito do livro, cheio de referências literárias e artísticas de primeira qualidade como Melville , Italo Calvino, Daniel Defoe, Goya... Entre eles, o genial Adoniran Barbosa com o "Nóis fumo" , cuja citação tem o claro propósito de mostrar a diferença entre a linguagem falada e a linguagem escrita. O livro  não ensina a escrever ou a falar "Nóis fumo, não encontremo ninguém". Por isso, eu fico com uma baita duma reiva não apenas da imprensa mas também da gente que repassa para frente a sacanagem.  "Estou só repassando". Sim estão só!!! repassando... Correntes da "fina arte" de caluniar. Ó vida de gado!  Para esses "abastecedores de exércitos", vai "O gênio das multidões", do Bukowski. Claro que eles vão dizer, "esse não vale, é doidão, cachaceiro, maconheiro, desavergonhado etc. etc. etc.".  Roteiro decorado pela mídia e pelos médios.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dylan, hippies, beatnik - fragmentos de um livro por vir - Daniel Lins




Daniel Lins acaba de nos enviar um texto inédito, um artigo muitíssimo interessante, construindo e desconstruindo links entre Bob Dylan (que está fazendo 70 anos!!!), os beatniks (principalmente Kerouac)  com o movimento hippie.
Destaquei alguns trechos do artigo que está inteiro nas páginas do blog.
Veja link no final do post.  

"No âmbito da Beat Generation, Burroughs, Ginsberg, Kérouac, e mais recentemente Bob Dylan, perceberam cada um, segundo sua singularidade, a importância da regra, em tempos de democracia, mas não caíram na armadilha da divinização da regra, pois ela não está acima da liberdade e da autonomia. A regra é da ordem do movimento, da invenção, e não perenidade. A regra não pode camuflar o autoritarismo e a carência de cultura, de conhecimento e de liberdade. É um suporte efêmero, limitado no tempo, que cresce com a sociedade, numa positividade sem retórica da enganação, e que acompanha as transformações próprias às invenções humanas. Não é Totem e Tabu.


"Como toda antiutopia, o movimento beat defendia suas causas, não para impor um sistema ou uma ordem política, conquanto, para fazer da vida, do aqui, do agora, do já, do hoje que é amanhã, e de um ontem que é o futuro, um devir, força positiva por excelência. Uma saudade do futuro.


"Não se tratava apenas de um “retorno às coisas simples da vida”, porém, de fazer da vida uma bela arte, com todos os perigos que a beleza e a arte implicam. Não há invenção sem violência nem estética sem crueldade. O amor à ecologia, a defesa da harmonia do mundo, dos mares, do cosmos, do caosmos, isto é, do ocidente curado da dualidade Homem/Natureza, não era um projeto político de poder, todavia, de vida. Era um estilo de vida que aspirava à liberdade, a autonomia, e que os beatnik queriam expressar, não representar, nem falar em nome de… Tudo no movimento Beat, como em Dylan, personagem-conceito, é uma questão de expressão, alheia, pois, a significação, a representação, a gramática da realeza! "

Leia o artigo integral clicando aqui.

Aproveitamos para ver Dylan e Ginsberg visitando a tumba de Kerouac. (em inglês com legenda em espanhol)


E também extrato do filme-documentário The Source com belas cenas dos beats em Nova York.

Língua "correta"


Para Heloisa Ramos
que valoriza a fala do povo, 
como fizeram os grandes
Mario de Andrade,
Adoniram Barbosa,
Tom Jobim,
Celso Cunha,
Câmara Cascudo 
e muitos outros
intelectuais.

Poemeto da fuga
 Fumo.
Bebo.
Erro.
Foragida da besteira,
Traço uma linha. 
Nóis fumo, vortemo, partimo travez.
E mais uma.
I love the churl.

conversa no café da manhã: revolução e trabalho

Lucia: quer dizer que esse movimento na Espanha passa por cima dos partidos e sindicatos?

Marta: por cima, por baixo, pelos lados... mas acho que não está passando por dentro, mas deve estar passando nos entres dos sindicatos e partidos.

Lucia: e onde vai dar isso sem direção?

Marta: experimentação do novo, uma dia os partidos e sindicatos também foram nova experimentação e fizeram importantes avanços sociais e políticos.

Lucia: mas onde vai dar isso que está acontecendo agora? revolução?

Marta: como posso saber? mas uma coisa é certa:  há um devir revolucionário no mundo.

Lucia: que tipo de revolução?

Marta: no mínimo uma revolução do "basta", tomara seja mais, que seja uma revolução do desejo e não só mudança de grupos no poder.

Lucia: pois é, os grupos tomam o poder e acabam com a revolução. esse é o problema. toda revolução acaba em contra-revolução...

Marta: sempre devirão novas revoluções... agora, devemos agarrar essa oportunidade, construir uma democracia real, mais real para a maioria do povo. é o que deve ser feito agora, resgatar direitos, criar novos direitos.

Lucia: direitos? mas vc tinha falado em revolução do desejo, vc sempre fala isso de desejo, mas eu não vejo a história caminhando para isso de desejos.

Marta: é pode ser que a história não caminhe para isso exatamente como eu desejo, mas eu caminho, e há muita gente caminhando nesse caminho. as revoluções são  longas caminhadas. mas, na verdade, não há contradição, os direitos são desejos.

Lucia: vamos trabalhar? ou vamos postar?

Marta: os dois trabalhos. o pago e o não pago. é tudo trabalho, ambos,  produção, mais ou menos inventivas.

Lucia: então, ao trabalho. vamos começar por onde?

Marta: pelo trabalho pago, e  nos entre, vamos postando. vamos postar essa conversa que tivemos no café? que tal?

Lucia: legal. gostei desse café e dessa conversa. obrigada.

Marta: obrigada eu, como dizem os paulistas.  

poesia de bairro I

tenho feito poeminhas pros amigos que vivem ou frequentam um simpático bairro de são paulo e o alegre buteco da lurdes. o primeiro:

PAT PAISAGEM

PAT PATRÍCIA
PARTE, VOLTA,
TRAZ A SORTE.
VAI,  VEM,
CONTA CASO BOM,
PASSA O BICHO.
TRAFEGA DETERMINADA,
ESBELTA, ESGUIA,
AVE-ÁRVORE DO ASFALTO.
NA PASSARELA CONCRETA,
ENCHE DE VIDA A BELA VISTA.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Deleuze e o amor


democracia real, YA


DUENDE ENTRE DOS AGUAS

"Tudo que tem sons negros tem duende."
"o duende tem que ser despertado nas últimas moradas do sangue."
Federico Garcia Lorca

 Não tenho anjos, nem musas, mas tenho o duende que ronda.  
Enquanto fico longe daqui, peço-lhe que risque nossas águas.


" Para buscar o duende não há mapa nem exercício.  Só se sabe que ele queima o sangue como uma beberagem de vidros, que esgota, que rechaça toda a doce geometria aprendida, que rompe os estilos..."
Garcia Lorca - Teoria e prática do duende

Siga Siguiriya, siga a louca, siga Lorca. 
Alegria. Bulerias.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Freud


Acabo de ver o filme Além da alma, sobre Freud, dirigido pelo John Houston. É interessante pois permite acompanhar o processo em que Freud criou sua teoria do Complexo de Édipo. Bastante questionável essa teoria, mas não tenho dúvida da vital importância de Freud para o reconhecimento da nossa poderosa vida inorgânica. Na edição que vi tem extra com um depoimento esclarecedor do psicanlaista brasileiro Renato Mezan. O roteiro do filme foi encomendado por Houston ao Sartre que bebeu muito whisky para escrevê-lo. Fez um roteiro enorme que daria umas 12 horas de filme... . Houston pediu pra cortar. Mais whisky pra Sartre que  fez nova versão, mas ainda seria um filme de 6 horas... Desintendimentos entre o filósofo e o cineasta que acabou fazendo o roteiro final, muito condensado, simplificando um bocado o a história. Mesmo assim, vale a pena ver. Muito bom, aliás, excelentes atores, cenários etc. O download free pode ser feito aqui,.  mas acho que não tem os mesmos extras. Fiquei muito afim de ler o roteiro do Sartre, publicado em livro.  

Ponte

A gente faz poesia e tem que fazer mesmo porque não somos de ferro e nem de concreto. Mas estou aqui a ajudar (como dizem os portugueses: a ajudar) meu filho a calcular o custo de uma ponte de concreto e ferro para atravessar o Rio Pinheiros e desafogar o trânsito em Santo Amaro e melhorar a mobilidade. O mais simples projeto não custaria para construir menos de R$ 200 milhões!!!  Precisamos parar de pagar juros para especuladores e acabar com a corrupção de modo a termos dinheiro para construir pontes. E escolas, hospitais, transporte público, centros de cultura, bibliotecas, moradias, saneamento básico, praças, parques,  jardins  etc.  E não é só construir, é equipar e ter gente contente trabalhando pra fazer funcionar.

Passarinhando

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...
Marta, uma poesia com gosto de novidade... denunciando velhas falácias humanas. Um povo de ferro; um governante de ferro: onde anda , meu deus, minha gente passarinho?
Abraços com carinho, Jorge


Marta Rezende disse...
Jorge querido, me desculpe o De ferro. É que andei passarinhando por aí e ví muita vida ferrada. E também ví muitos passarinhos livres, cantando aqui, pousando ali. Quero viver como um passarinho, por isso faço poeminhas, espantando as ferradas.

Melancolia

Não gostei do que Lars Von Trier falou no Festival de Cannes, mas adorei que a atriz de seu filme "Melancolia" ganhou o prêmio de melhor atriz. Kirsten Dust, a atriz que tem a tristeza no olhar. E vou ver o filme.

De ferro

Para existir,
basta abandonar-se ao ferro.
Mas para dar conta de tanto ferro,
é preciso ser ferreiro.
E assim saber o fogo certo para moldar
os poderes de ferro,
os corações de ferro,
as palavras de ferro,
os silêncios de ferro,
os olhares de ferro,
as damas de ferro,
os cavalheiros de ferro,
os velhos de ferro,
os jovens de ferro.

Dizem que a civilização do ferro já era, agora é a vez da ferrada.
Há muito emprego no mercado para ferreiros de ferro humano.

LORCA


05 de junho é aniversário do grande poeta, compositor, teatrólogo, revolucionário, FEDERICO GARCIA LORCA.  Vamos comemorar!!! Sempre comemoro essa data pois nela nasceu um grande homem, mais que homem, além-homem.

Yo no podré quejarme
si no encontré lo que buscaba;
pero me iré al primer paisaje de humedades y latidos
para entender que lo que busco tendrá su blanco de alegría
cuando yo vuele mezclado con el amor y las arenas.

Vuelo fresco de siempre sobre lechos vacíos,
sobre grupos de brisas y barcos encallados.
Tropiezo vacilante por la dura eternidad fija
y amor al fin sin alba. Amor, ¡Amor visible!

Federico Garcia Lorca
versos de
Cielo Vivo - Poeta en Nueva York  

DEMOCRACIA REAL, JÁ !


MANIFESTO DO MOVIMENTO ESPANHOL
DEMOCRACIA REAL, YA!

Somos pessoas como você – não produtos do mercado.
Unidos, podemos mudar. Vem conosco . É teu direito.

Somos pessoas comuns. Somos como você: gente que se levanta pela manhã para estudar, trabalhar ou buscar trabalho. Gente que tem família e amigos. Gente que trabalha duro todos os dia para viver e dar um futuro melhor aos que nos rodeiam.
Alguns de nós consideram-se mais progressistas; outros, mais conservadores. Uns crêem, outros não. Uns têm ideologias bem definidas, outros nos consideramos apolíticos… Mas todos estamos preocupados e indignados com o panorama político, econômico e social que vemos em nosso redor. Com a corrupção dos políticos, empresários, banqueiros… Com a condição indefesa do cidadão comum.
Esta situação nos atinge a todos, diariamente. Mas se nos unirmos, podemos mudá-la. É hora de nos colocar em movimento, hora de construir entre todos uma sociedade melhor. Por isso, sustentamos firmemente o seguinte:
- As prioridades de qualquer sociedade avançada devem ser a igualdade, o progresso, a solidariedade, o livre acesso à cultura a sustentabilidade ecológica e o desenvolvimento, o bem-estar e a felicidade das pessoas.
- Existem direitos básicos que deveriam ser assegurados nestas sociedades: direito à moradia, ao trabalho, à cultura, à saúde, à educação, à participação política, ao livre desenvolvimento pessoal, e direito ao consumo dos bens necessário para uma vida sã e feliz.
- O atual funcionamento de nosso sistema econômico e governamental não atende a estas prioridades e é um obstáculo para o progresso da humanidade.
- A democracia parte do povo (demos=povo; cracia=governo), portanto o governo deve ser do povo. - Porém, neste país a maioria da classe política sequer nos escuta. Suas funções deveriam ser levar nossa voz às instituições, facilitando a participação política cidadã e procurando o maior benefício para o grosso da sociedade – não enriquecer-se às nossas custas, atendendo apenas as ordens dos grandes poderes econômicos e aferrando-se ao poder por meio de uma ditadura plutocrática encabeçada pelas siglas inamovíveis do PPSOE*.
- A ânsia de acumulação de poder em poucos gera desigualdade, crispação, injustiça, e conduz à violência, que rechaçamos. O modelo econômico vigente afunila o mecanismo social num torvelinho que consome a si mesmo, enriquecendo a poucos e mergulhando o resto na pobreza e escassez. Até o colapso.
- A vontade e fim do sistema é a acumulação de dinheiro, colocando-a acima da eficácia e bem-estar da sociedade. Desperdiçando recursos, destruindo o planeta, gerando desemprego e consumidores infelizes.
- Os cidadãos formamos parte da engrenagem de uma máquina destinada a enriquecer a uma minoria que não sabe de nossas necessidades. Somos anônimos, mas sem nós nada disso existira, pois nós movemos o mundo.
-  Se como sociedade aprendemos a não confiar nosso futuro a uma abstrata rentabilidade econômica que nunca desemboca em benefício da maioria, poderemos eliminar os abusos e carências que todos sofremos.
-  É necessária uma Revolução Ética. Colocamos o dinheiro acima do Ser Humano e precisamos colocá-lo a nosso serviço. Somos pessoas, não produtos do mercado. Não sou apenas o que compro, o motivo por que compro e de quem compro.
Por tudo isso, estou indignado.
Acredito que posso mudar
Acredito que posso ajudar
Sei que unidos podemos.
Vem conosco. É teu direito.

* Fusão das siglas PP e PSOE, dois maiores partidos espanhois.

Suicídios na France Telecom - depoimento de um trabalhador

Escrevi a um amigo que trabalha na France Telecom perguntando a razão dos suicídios dos seus colegas (55 mortes por suicídio em 2010 e 2011). Sabia pela imprensa que, provavelmente, a causa disso são as mudanças no sistema de emprego e trabalho. Mas eu queria saber mais e por uma pessoa que trabalha na empresa, dando seu depoimento pessoal. O senhor Daniel, muito gentilmente,  me escreveu em Francês. Segue abaixo o texto traduzido por mim (certamente não é uma excelente tradução) e, em seguida,  o texto original. Antes, explico porque  me interesso por esse assunto.  Porque o trabalho é algo muito importante na vida e as coisas importantes devem ser discutidas, refletidas, questionadas. No Brasil, passamos por brutais transformações no trabalho desde a década de 1990 (reengenharia, terceirização, privatizações, fleixibilização etc.) com sensível piora das condições de trabalho, apesar do enorme crescimento da produtividade. Resistimos como pudemos e nos adaptamos sofrendo muito. Mas o massacre ideológico foi tão grande que ficamos praticamente envergonhados de defender direitos conquistados.  Defender o emprego público e a empresa pública, por exemplo, passou a ser considerado pelos meios de comunicação e por boa parte da chamada "opinião pública" como coisa de "dinossauros". Tivemos que engolir o discurso da ineficência estatal, quando, na verdade, foi o Estado brasileiro - através da popupança pública - que possibilitou construir a infraestrutura que o país tem ainda hoje. Infraestrutura essa que foi privatizada, em grande parte,  na "bacia das almas" (falta de transparência e corrupção desenfreada), em nome de maior eficiência. No setor de telecomunicações, por exemplo, o resultado dessa "maior eficiência" foi a destruição de milhares de empregos, a degradação das condições de trabalho, a flexibilização dos contratos de trabalho (boa parte  virou CONSULTORES SEM DIREITOS TRABALHISTAS), o crescimento da internacionalização da economia brasileira e o enorme crescimento dos custos dos serviços de comunicação.



Depoimento do Sr. Daniel, trabalhador da France Telecom, em Paris

"A  France Telecom é a maior administração que foi privatizada na França. Aos poucos, cerca de 180 000 trabalhadores foram convertidos a funcionários de uma empresa privada. Na França, trabalhar no Estado é garantia de manter o seu emprego. 30 anos atrás, a pessoa que passou a ser funcionário, pensava que teria o mesmo trabalho durante toda a vida, muitas vezes usando os mesmos métodos. Com a mesma qualificação, seu salário era menor que no setor privado. Com a privatização, e a  France Telecom  é o melhor exemplo, aconteceram forte mudanças nos métodos de "gestão", nas relações de subordinação, nas  metas impostas etc. Além disso, houve um plano na empresa para eliminar 22 mil empregos em três anos (trabalhadores convidados para ir para outras jurisdições, sem novas contratações para substituir aqueles que se aposentam etc.).  Para eliminar tantos empregos,  em tão pouco tempo, foi necessário reorganizar os serviços. Ao mesmo tempo, houve o desenvolvimento de telefones celulares, internet etc. criando a necessidade de mais pessoas para atender telefones e vender a clientes. Na verdade, a  rede já estava construída  e a manutenção passou a ser realizada por empresas privadas para economizar custos (em teoria ...). Então, houve um grande número de técnicos que tiveram que mudar de emprego, local de trabalho, métodos etc. Caso típico é o do técnico com mais de 50 anos: ele chegava de manhã no escritório, pegava a ordem do dia com as tarefas que deveria desempenhar, conversava com o chefe, saia para a jornada e não voltava no período da tarde. Era sua responsabilidade: se ele trabalhava rapidamente, podia terminar  a jornada de trabalho mais cedo; se ele trabalhava mais lentamente, ele terminava  mais tarde ou trabalhava mais  rápido no dia seguinte. Praticamente, ele era o seu próprio chefe. Com a privatização, ele passou a ir para o trabalho em um escritório (ele sempre trabalhou fora), juntamente com muitos outros, ficando exposto a ruídos (antes, ele trabalhava sozinho ou com uma ou duas pessoas). Era  muito independente, agora deve obedecer como uma criança aos chefes, geralmente pessoas mais jovens treinadas em escolas de negócios, com um estatuto de trabalhador privado. É difícil para todos. Muitos deprimidos a tomar tranqüilizantes, alguns se adaptam e outros, um número menor (ainda bem!) comete suicídio. Muitas vezes, os suicidas são aqueles que investiram pesadamente em seus trabalhos. A France Telecon,  infelizmente,  não é a única jurisdição onde isso acontece. As mesmas causas produzem os mesmos efeitos,  como se diz na França."

Depoimento original, em Francês
" Il faut savoir que FT est la plus grande administration qui a  été privatisée en France . Petit à petit , autour de 180 000 travailleurs fonctionnaires se sont retrouvés dans une entreprise privée . En France , travailler pour l'Etat , c'est la garantie de garder son emploi . Il y a 30 ans ,  celui qui  devenait fonctionnaire savait qu'il aurait le même emploi toute sa vie en utilisant souvent les mêmes méthodes de travail . A qualification égale , il était mois payé qu'un travailleur du secteur privé .
Avec les privatisations , et FT est le meilleur exemple , si le travailleur garde la garantie de l'emploi beaucoup de choses changent.Les méthodes de "management" , les relations hiérarchiques , des objectifs imposés etc. De plus à FT , il y a eu plan pour supprimer 22 000 emplois en 3 ans ( travailleurs invités à aller dans d'autres administrations , pas de remplacement de ceux qui partent en retraite etc ) . Pour supprimer tant d'emplois en si peu de temps , il a fallu réorganiser les services . En même temps ,il y a eu le développement des téléphones portables , d'internet etc . Il y a eu besoin de plus de personnel pour vendre et répondre au téléphone aux clients que de techniciens . En effet , le réseau était construit , la maintenance assurée par des entreprises privées afin d' économiser les coûts ( en théorie ... ).
Il y a donc eu un grand nombre de techniciens qui ont dû changer de travail , de lieu de travail , de méthodes etc. Ainsi  le cas typique est un technicien de plus de 50 ans : il arrivait le matin au bureau , prenait une feuille de papier avec ce qu'il devait effectuer dans la journée , parlait un peu avec son chef puis partait pour la journée & ne revenait qu'en fin de journée . Il était son propre responsable : s'il travaillait vite , il pouvait finir la journée de travail plus tôt , s'il travaillait trop lentement , il finissait plus tard ou travaillait plus vite le jour suivant . Il était presque son propre " maître" . La privatisation  arrive : il doit aller travailler dans un bureau ( il travaillait souvent dehors ) , avec beaucoup d'autres , du bruit ( il était souvent seul ou avec 1 ou 2 personnes ). Il était très indépendant , il doit obéir comme un enfant à l'école à des chefs bien souvent plus jeunes formés dans des écoles de commerce ayant un statut de travailleur privé.
C'est difficile pour tous . Beaucoup dépriment & prennent des tranquilisants , un certain nombre s'adapte et un nombre plus petit ( heureusement !) se suicident. Souvent ce sont ceux qui s'étaient beaucoup investis dans leur travail. FT n'est pas malheureusement  la seule administration où cela arrive . Les mêmes causes produisent les mêmes effets comme on dit en France."


sábado, 21 de maio de 2011

Revolução dos indignados com muita alegria


"Se não nos deixarem sonhar,
não os deixaremos dormir!!!"
Acompanhe ao vivo pela TV SOL /via Vi o Mundo

a traça e a boa poesia

ga ga não é a Lady,
é a senhora moça que
ga ga gague
ja ja  no jardim.

ó jardineira por que esta tão triste?
o que foi que aconteceu?
não importa. acon te tecido.

tra tra  traça
por ca ca
porcaria de poesia
fu fu fudida. fu ja ja.
tra tra traça uma linha.

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tra tra tracei. 
e fu fu fui ler a bo bo boa poesia.

"Resta essa imobilidade
essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior ante diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
essa irredutível recusa à poesia não vivida."

Vinicius de Morais - O haver

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Nós, desprezadores dos outros

Sentida pelo deprezo, fui almoçar com o meu filho. Não quis comer a carne com batatas, pedi pra embrular. No caminho de volta, me sentindo melhor, amor do belo e gentil filho, ouvi atrás "como desprezam a gente". Acordei, olhei, um morador de rua. Voltei, dei umas moedas. Ele disse "há vários dias não como". Ao vencedor, as batatas com filé mignon do restaurante do alemão. Continuei o caminho de volta chorando pro desgosto do meu filho. E pensando no meu humanitismo e em Quincas Borba, do Machado de Assis. 

"ao vencido, ódio ou compaixão;
ao vencedor, as batatas"