Tradução

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pequena homenagem - Domitila do Amaral - Foi-se embora



Foi-se embora
                                                                  Marta Rezende

De negro, discreta, elegante,
Descia a rua das Flores.
Subia com copos de leite nas mãos.

Mãos de Domitila,  
Domitila do Amaral.
Tranformou ruína em mansão.

Voz de Domitila,
Domitila do Amaral.
Cantou Lorca na Casa da Ópera.

Corpo de Domitila,
Domitila do Amaral.
Trouxe a arte nas entranhas. 

Alma de Domitila,
Domitila do Amaral.
Desenhou mandalas e contou mitos.

Pés de Domitila,
Domitila do Amaral.
Foi-se embora da cidade e nunca mais voltou.

Memória de Domitila,
Domitila do Amaral.
Recebeu estranha ingratidão.

Vida de Domitila,
Domitila do Amaral.
Foi-se embora e nunca mais voltará.

De negro, discreta, elegante,
Descia a rua das Flores.
Subia com copos de leite nas mãos.

Ilustração: Sombras e outras luzes - Alexandre Martins

3 comentários:

  1. Marta,
    Parabéns pelo poema-homenagem
    Domitila sempre será a dama de negro com olhos de mel a entregar-se de corpo e alma à construção do sujeito através da arte impregnada em cada ser. Tive a graça de conviver com ela e Rafael em Ouro Preto também. Amém! Salve: lucidez e entrega!

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  2. Saudades. Até que enfim, hoje 27/04/16 encontrei algo sobre ela. Minha 2a. mãe dos 10 aos 22 anos, em O.P. e amizade eterna. Morava em frente à casa dela, e convidou á várias crianças de perto para brincarem com o Rafael qdo. tinha 03 anos para ele não crescer sozinho. Viramos irmãos. Melhor época de nossas vidas

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