Tradução

domingo, 15 de maio de 2011

Riqueza

Há quem pense que riqueza é ter dinheiro, jóias, barcos, automóveis, mansões e mais muito mais. Ganhar meu primeiro milhão... eis a sina ilusória que a sociedade cretina quer impingir aos jovens.  Que todos se tornem Eike Batista...
Ninguém lhes ensina Nelson Cavaquinho porque, se ensinasse,  aprenderiam a riqueza que há na pobreza.




O sacrifício

Meses e meses sem ver televisão. Ontem liguei o botão e eis que entra no meu quarto a civilização... Que horror! Senti  quase plena a Terceira Guerra Mundial e totalmente pleno o festival de besteirol. 
Ó Deus, o que os homens estão fazendo com a vida?  O que estamos fazendo com a nossa vida?

Desliguei a joça. Fui até a locadora de filmes. O sacrifício. Tarkoviski, o cineasta que esculpe o tempo e pinta o espaço.

Viver é inventar mundos. Arte e Revolução.

sábado, 14 de maio de 2011

ANDES

É pelos Andes que vou andar, Che.


Passarim

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...


Marta, as flores ressurgem e o vento traz de volta o que foi sem dizer adeus... pois, a vida , esta vadia, é namoradeira, é Santo Antônio e Oxum numa trama companheira. Abraços com carinho, Jorge Bichuetti: direto da UPop -JA
Marta Rezende disse...
Jorge, sou afobada, escrevo sem pensar e posto. Depois, vou vendo os erros e vou corrigindo, nem todos. A gente nunca escapa totalmente dos erros. Santo Antônio, se for o casamenteiro, deixa pra lá. Oxum, namoradeiro, venha pra cá. Adoro sua companhia e suas doces palavras: vento, sabiá, canastra, cachaça... Porque hoje é sábado, vou tomar umas e virar passarim. Obrigada pelo carinho que dobro desdobro redobro, amigo Jorge.  
 

Olhos

Você que me vê
flor solitária,
Se abrir os olhos,
verá jardim.

Sumidouro

Sumidouro sumiu. Sumi. Sumiste. Enfim, o fim. Sumimos.

Porque hoje é sábado





sexta-feira, 13 de maio de 2011

Blog: MÁQUINA E ESPÍRITO




Os blogueiros que usam o Blogger (como esse aqui) passaram apertado nestes últimos dias. Ficamos sem poder blogar algumas horas. Caos. Perplexidade. Grito. SILÊNCIO.


Acabou sendo muito bom tudo isso. Zerou. E assim pude pensar, pensei um bocado de coisas. Paranóicas, inclusive. E fiquei pensando, talvez seja melhor assim. Vamos acabar com esses bloguismo e fazer outra coisa. Mas pensei também: os blogs ajudam a gente a viver, a pensar, a pesquisar, a aprender, a escrever, a rizomar,a  fazer amigos, a fazer inimigos (sim, a gente cria inimigos com blogs.....), a protestar, a reclamar, a poetar, a revolucionar  etc etc etc e a nos conhecer em transformação.  E aí me lembrei de uma coisa que o Antonio Negri escreve na apresentação do Mil Platôs, de Deleuze e Guattari.  Mil Platôs, sempre Mil Platôs. A gente vai entendendo esse livro devagar, é preciso ler, reler, ruminar. Ruminar como as vacas.  De repente, a gente entende uma frase ali, um pedaço acolá.  Então, o Negri fala da informática uma coisa que é muito difícil de apreender no próprio texto de Mil Platôs.

" Nesse mundo de cavernas, de dobras, de rupturas, de reconstruções, o cérebro humano se dedica a compreender, antes de mais nada, sua própria transformação, seu próprio deslocamento, para além da conflitualidade, nesse lugar em que reina a mais alta abstração. Mas essa abstração é  novamente desejo."
Antônio Negri
A informática no início foi chamada de cibernética. Cibernética é uma palavra que vem do grego (kibernetes) e quer dizer timoneiro, ou seja, aquele que dirige a embarcação.  A cibernética nasce na 2a. guerra mundial, nos Estados Unidos, imaginário militarizado. Relação homem-maquina para abater o inimigo. Máquina de guerra.

Então, resolvi que vou estudar isso: a filosofia que está embutida na informática. E é preciso começar pelo estudo do pensamento (pensamento delirante) de Norbert Weiner.  Muita gente já estudou isso (como o importante estudo de Jérôme Segal, Le zero et le un)  e ainda estuda. Andei estudando isso, mas está cheio de buracos meu conhecimento. É preciso aprofundar. Eu vou começar, do começo. Por Weiner e Von Neumann. Weiner se afastou das pesquisas militarizadas quando veio a bomba atômica.  Tenho uma simpatia por ele e também uma antipatia. Mas isso é só opinião. Preciso pesquisar. E sei que vou chegar no Simondon e vou chegar no Deleuze e Guattari. Máquinas de guerra. Máquinas desejantes.

E está  cheio de rupturas e descontinuidades nesses pensamentos. Exemplo disso é que Weiner abandona Henri Bergson e cai no aristotelismo.  Na verdade, apesar de ter feito um curso sobre isso, estou mais perdida que bala em tiroteio.   Mil Platôs. Tumulto. Grito. SILÊNCIO.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A crise e os bandos

É comum a gente ler ou ouvir nos meios de comunicação hegemônicos que a crise vivida pelos países da Europa advém de "problemas estruturais" da economias nacionais ou do "movimento espontâneo" dos mercados. E a receita que vem logo em seguida é o "programa de austeridade", ou seja, gastos de cortes públicos, intervenção do FMI etc e tal.

É a velha ladainha, ladainha dura para o povo e os trabalhadores afetados por queda dos serviços sociais e do nível de emprego. Ladainha que, nós,  brasileiros, conhecemos bem em passado não muito longínquo... Vocês se lembram? Os burocratas do FMI descendo todos os meses nos aeroportos do Brasil. Como nós conhecemos esses tais  programas de austeridade...  Vencemos um bocado disso, apesar de ainda termos problemas muito sérios a enfrentar, especialmente no combate à miséria e injustiças sociais.  O Brasil vem resistindo bem à crise, mas a especulação está aí... firme. Uma hora dessas, falaremos disso aqui, pois a coisa é mais que séria.  Voltemos à crise européia, européia por enquanto. 

Há felizmente gente que acompanha de perto e pesquisa o que de fato vem ocorrendo na Europa. O amigo Byron Kaldis me enviou link (ver vídeo abaixo)  para a esclarecedora entrevista de Webster Tarpley, um dos críticos mais contudentes das oligarquias que comandam a economia mundial, a hegemonia neoliberal anglo-americana. Nessa entrevista, esse bem preparado intelectual  mostra como a crise atual na Grécia (bem como da Espanha, Portugal etc, ou seja, nações do Sul da Europa e do Mediterrãneo)  é fruto de orquestração dos "bandos" ( não são bancos simplesmente, se parecem mais com bandos - no sentido de bandidagem - expressão minha, aliás,  e não do Byron ou do Webster) especulativos. Tudo decidido em restritas reuniões e jantares. E que jantares! Podemos imaginar o que comem e bebem o Georges Soros e companhia limitadíssima. Elites incapazes de encontrar soluções sustentáveis de desenvolvimento, restam-lhes garantir seus jantares,  de seus filhos, netos, bisnetos, e de seus bandos especulativos (que Webster chama de bancos zumbis, mas não queremos envolver Zumbi nisso) , fundos hedges e outros venenos ... através da valorização artificial do  DÓLAR frente ao EURO (e outras moedas).  Lançam, assim, em abismos profundos as nações da Europa com economias mais suscetíveis,  colocando  em risco todo o mundo, pois o que estão gestando (enquanto jantam)  é nada mais nada menos que uma profunda crise mundial.




PARA COMBATER OS PODERES CONTRA O POVO,
AS POTÊNCIAS DE LUTA E CRIAÇÃO DO POVO

 


Vazio agudo


São Paulo por Bichuetti, Sertão pela Marta


Jorge Bichuetti disse:

Marta, São Paulo é para mim uma beleza que flui, escapa, transmuta: não é espelho nem canto de sereia. Devires entre mutantes paisagens. Abraços com carinho; Jorge


Marta disse:
Jorge, meu querido, que bom que São Paulo tem espaço no seu pensamento. 
São Paulo é acolhimento de todos que se aventuram  na selva de concreto  rabeada por bosques de Mata Atlântica. Há sertões em São Paulo, eu por exemplo, um sertão vivo de cerrado.  Hoje sonhei com você, com o Moacir Laterza e com lobos guarás. Meu Triângulo poético. No mais, é devastação, destruição, demolição... e alguma esperança de devires construtivistas de bons encontros e ações alegres.  Estou como o carrapato de Deleuze: em cima da árvore mais alta desta selva, no aguardo paciente das afecções sertanejas. Beijo no cangote da amiga Marta

Fui procurar uma foto sua e achei você quase ao vivo. Você é uma beleza sem fim Jorge, por dentro e por fora. Ecologia mental. Ecologia social. Ecologia poética. Verdadeira sustentabilidade.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pensamento sem imagem - São Paulo por Daniel Lins

Para termos dois textos curtos, um sobre São Paulo, outro sobre Paris. Começamos por São Paulo. Eis o prometido depoimento do filósofo, sociólogo e escritor Daniel Lins.  

Daniel,  gostaria que comentasse uma frase que tirei da mídia: "São Paulo é uma das cidades mais feias do mundo, sobretudo quando a gente a olha de  cima e vê sua enorme periferia".  

Daniel Lins - Pois é, a caricatura é ainda mais forte que a opinião. Duas coisas eu vejo nessa frase . Primeiro, sobre a afirmação "a mais feia do mundo"... Do mundo? Esse imaginário social que repete isso  assina o DNA da medicoridade. Se se fala do mundo, não se está falando de nada. É uma afirmação que nega. Segundo, para falar que São Paulo é feia teria que começar sobre o que é feio. Se é feio a partir do preconceito ou se é partir do modelo.  Os livros do Umberto Eco,  inclusive publicados no Brasil, já acabaram com isso de uma vez por todas.  


A idéia de feio é antes pensada que ressentida.  Quem decide o que é belo ou o que é feio? É o discurso oficial. Na época de Renoir, o que era feio? A mulher feia era a magra, a bonita era a gorda com carne balançando por todos os lados.

Amo São Paulo e acho a cidade muito bonita, inclusive a sua periferia. Alguns bairros  eu conheço, outros nem tanto porque passei muito tempo sem vir aqui, mas posso dizer que até naqueles que não conheço a gente sempre pode  encontrar um lugar para comer,  um pão na chapa, um café, conversar com as pessoas e receber o sorriso até de quem vive com imensas dificuldades. Por que é feio? Porque é pobre? Porque não tem árvores?  Porque a pobreza da periferia assusta? sobretudo aqueles que não a conhecem.
Gosto de tudo em São Paulo. Do Braz, da Mooca. Claro que para falar da beleza de São Paulo, o mais fácil seria começar por Pinheiros ou pela Vila Madalena ou pela avenida Paulista. Incrível uma avenida dessas, de repente um bosque...

O mais pobre dessa história de que "São Paulo é a cidade mais feia do mundo" é a generalização. Afirmar sem pesquisar, é jogado assim... Fico perplexo com isso porque o feio é mais uma criação ideológica do que estética. O que é feio para a gente pode não ser para os habitantes da Índia.  Muitos estrangeiros brancos, daqueles quase róseos,  com 1,90 metros de altura, ficam loucos com as  morenas, as pequenas, as negras no Brasil. Mas nós não podemos achá-las bonitas, a não ser que passe na Globo e como faz muito pouco tempo que a TV brasileira vem se abrindo para os negros, a gente está proibido de gostar. É o imaginário de uma elite brasileira que não supera a burrice estética. Estamos num país de apartação, apartação do negro e, sobretudo, do pobre. Então, o feio é sempre o outro: o pobre, o negro, o índio. No Brasil, gosta-se do que já morreu, são os que adoram os cemitérios... Todo mundo gosta dos índios. Eles foram praticamente dizimados, então todo mundo gosta. Mas, quando eles aparecem, os guardamos nas reservas, espécie de zoológico. 

O feio e o bonito é pensado na história da filosofia desde Platão. Venho pesquisando isso com muito interesse. Em Aguas Belas - Alcoolismo, Filosofia e Literatura (livro no prelo), falo da beleza do alcóolatra. Por que o jovem Lautréamont pode ver como belo as mãos trêmulas do alcóolatra? Porque ele tem o olhar do índio, ou seja, o olhar que não parte de uma imagem anterior, ele a inventa, é o pensamento sem imagem. Feio, portanto, pode ser não saber pensar.

D´Acciaio/ D´acier/De aço

Maud querida, obrigada pela dica de mais uma escritora. Você já me apresentou e presenteou tão bons livros. Eldorado, do Laurent Gaudé. Lembra-se?  Eu o lí inteiro em algumas assentadas no banheiro. E fiquei sabendo toda a desgraça que acontece nos navios que levam os imigrantes clandestinos para a Europa. Aliás,  a história é de um navio italiano e de  um comandante italiano. Começa na Catania... "des centaines de poissons morts faisaient briller le soleil de midi". No Mediterrâneo, como em D`Acciaio. Quanto coisa se passa entre águas.

D´Acciaio não tem em português. Acho que não. Tem em algumas livrarias, em italiano.

Mulheres de aço? Não me consola. A vida é aço para homens e mulheres.  E também é fluxo. Água. Não sei falar essas coisas de mulheres e homens.  Não sei nada disso.  Às vezes penso que sei que as mulheres se passam por fracas para não despertar a ira dos homens.  Há muita confusão entre homens e mulheres, mas não menos confusão que entre homens e homens e entre mulheres e mulheres.  Quero e estou a caminho de desencanar disso tudo... ao menos olhar de forma menos trágica essa  longa história. Um pouco de humor. Facciamo ridere!!!

Mas há em D´Acciaio , pelo que entendi da reportagem que enviou, uma coisa que não é para rir. A exploração, o trabalho servil . Uomini e donne mangiando il pane dell inferno.

Eu sei Maud da importância do feminismo. As mulheres ganham menos, trabalham mais, são consideradas por muitos como o diabo. E por outros como o travesti do diabo. Há outros também... bicho raro, l`animale raro, l´animal rare, the rare animal.  Mas eles existem.

Conheço uma cidade de aço. Uma cidade  que tem uma siderurgia (ou melhor, uma siderurgia muito rica que tem uma cidade aos seus pés, sem cinema, sem teatro, com muitos bares, bordéis e muitas igrejas...). Vivi lá muitas histórias. Senti na pele e no coração o aço duro de roer. Social e pessoal. E também os fluxos. Fluxo de trabalhadores, fluxo do capital, fluxo de gente, fluxo de amor, fluxo de minério, fluxo de prostituição, fluxo de águas. Posso escrever um romance sobre isso.  Aços e fluxos. Uma boa idéia, aliás.

A flor e o cavanhaque

Quando ele entrou  em sua casa, ela era uma flor, colocou as rosas no vaso e o amou pela primeira vez como se fosse um homem.  Tempos depois... nada a contar, tudo a cantar, vaso vazio, ele seduzido por um cavanhaque. Bem feito.  É o amor.

Mulheres de aço / Des femmes d'acier !!!

Como é bom se interconectar na rede, na vida, encontrar amigos de amigos...
Amigos intimos, amigos na sensibilidade, como Pina... o filme sobre ela é maravilhoso, que acabei de ver com amiga minha...
Amizade tambem fica na ultima novela que li, "D'acier" em frances da Silvia Avallone, italiana de 25 anos que fez uma novela social (o contexto industrial e operario de Piombino na Toscana, homens violentos, mulheres submitidas - nem todas !) conseguindo tambem dar uma historia de amizade de adolescentes tão fiel, tão verdadeira na descripção. Sera que tem uma tradução em portugues ? Se não , sugiro aos traduzidores de correr atras do livro !!
Mas informações aqui http://www.lianalevi.fr/f/index.php?sp=liv&livre_id=410
Mulheres são de aço sim frente às hostilidades da vida !!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Marta Suplicy

A Marta diz que pode ser candidata a prefeitura de São Paulo. Ótima notícia. Gostei da gestão dela (2001-2004), pois a cidade transpirava debate, cultura, transformação, inversão de prioridades.  Os meios de comunicação tratam a Marta muito mal - mesmo porque a danada não dá mole - impingiram nela a taxa do lixo, criada pelo seu secretário de finanças à época, João Sayad, que a largou com a bomba na mão e foi para o ladinho do Serra.    Não sou a favor de aumentar os tributos, mas o pior de tudo é a falta atual de política de resíduos sólidos na metrópole.  Fica essa "perfumaria" das sacolas de plástico... Ok vamos acabar com o excesso de sacolas plásticas, mas isso não passa de perfumaria quando não há coleta seletiva, educação ambiental, construção de novos aterros etc.

A Marta fez uma gestão bem razoável. Criou o Bilhete Único, construiu os corredores de ônibus, criou e implantou o CEU e mais um monte de ações interessantes. Depois veio o Serra, veio o Kassab... na minha opinião, dois fracassos na gestão municipal.  A questão transporte público ficou parada, nenhum centimetro de corredor de ônibus. O programa de revitalização do centro foi completamente desviado com aquela violência toda no bairro da Luz com finalidades especulativas... As subprefeituras foram enfraquecidas... o orçamento participativo também. A proposta dos CEUs foi esvaziada. A cidade ficou mais suja e escura,  não há dúvida. Enfim, a gestão e a política  local voltaram a ser aquela porcaria de sempre.

A volta da Marta acende uma luz no túnel escuro.

TEN CHI

Durmo sonhando butô a dança da terra.
Não dormindo sonho Pina o baile do céu. 

Os rios e a educação pela pedra

 João Cabral de Melo Neto

Os rios


Os rios que eu encontro
vão seguindo comigo.
Rios são de água pouca,
em que a água sempre está por um fio.
Cortados no verão
que faz secar todos os rios.
Rios todos com nome
e que abraço como a amigos.
Uns com nome de gente,
outros com nome de bicho,
uns com nome de santo,
muitos só com apelido.
Mas todos como a gente
que por aqui tenho visto:
a gente cuja vida
se interrompe quando os rios.



A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta;
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.


Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra; lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

2 comentários


          Jorge Bichuetti  disse...
Marta, nas minha veias correm os rios que se foram, e os que os levaram não deixaram nem mesmo uma foto... E no meu peito me asfixia os destroços da minha aldeia que a derrubaram sem que eu pudesse voltar para o cálido e livre ventre, para o meu singelo ninho. Abraços com mil beijos, Jorge
Jorge, salve Jorge, poeta e dos bons. Estou na luta pelo esquecimento ativo, Jorge, senão eu morro de amor ou vivo na dor. É uma resistência. Meus poemetos só falam disso: resistir, ir em frente, viver, devir. beijo Marta

Sangue

O que toda gente sabe, eu não sei.
Mas sei que não há mais meu rio.
E não há mais minha aldeia.
Resta-me o sangue correndo pelas veias. 

sábado, 7 de maio de 2011

Fogão de lenha

Marta, viva a criatividade e suas postagens que nos traz com suavidade o conhecimento como se proseasse num fogão-de-lenha. Abraçose beijos, jorge


Adorei essa Jorge. Lá nas minas montanhosas tenho um debate com os amigos se é fogão à lenha ou fogão- de- lenha. O segundo ganha de longe.  O que importa mesmo é as conversações a beira do fogão à lenha. Ouvi muita história de assombração na infância contadas por um tio fantástico, tio Joãozinho, um poeta da palavra pouca, resumida,que nos deixava a todos, crianças e adultos,  arregalados e quietos na cozinha iluminada pelo fogo do fogão. E assim iamos nos adentrando no sono, nos sonhos. Dormíamos em colchões de palha ouvindo o uivo dos lobos guarás... um verdadeiro canto de ninar.
Acima,  montagem  minha com foto do Vinício  com quem tenho tido muitas prosas, "vigiando o fogo" aos pés do Caraça, na porta do paraíso, morada de lobos e lobas. Abaixo fotos do pedaço.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

DE REPENTE, FEIO É NÃO SABER PENSAR

Vi o Daniel Lins pela primeira vez no Café Filosófico com Alegria (assista clicando em alegria).  Um acontecimento.  Fendas se abriram no meu caminho. Novos labirintos. Encontrei o pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari e as tantas portas e platôs que esses trazem. Labirinto acentrado. Dobras. Desdobras. Redobras. Ai fui lendo, ando lendo, os livros do Daniel. São tantos. Importantissimos. Pensamento. Criação. Inusitado. Acontecimento Daniel.

Dia 1o. de Maio, três anos depois daquele Café Filosófico, no meio assisti todos os outros (imperdíveis) que ele participou... Eu não perco o Café Filosófico. Adoro.   Então, uns três anos, mais ou menos, depois estou aqui em São Paulo a conversar com o Daniel Lins na cafeteria do Cine Unibanco. Não fomos ao cinema, preferimos conversar.  E foi uma conversa sobre tudo sobretudo o mundo.  Viajante intempestivo, nômade, cigano, Daniel Lins já visitou 74 países, só na India ele foi um bocado de vezes.   Falamos do mundo e de tanta coisa mais. E me contou que estudou no Colégio São Bento, anexo ao Mosteiro São Bento, no Centro de São Paulo. 




E que ficou muito tempo sem voltar a São Paulo, morando na França por mais de três décadas. Agora, morando em Fortaleza,  tem voltado a frequentar São Paulo. Sempre dando cursos e palestras. 

Tinhamos combinado por e-mail de gravar um depoimento dele sobre Paris e São Paulo. Coloquei duas questões para esquentar.

"São Paulo é uma das cidades mais feias do mundo principalmente quando a vemos do alto com suas enormes periferias. "

" Paris cidade luz é coisa do passado; hoje Paris é negra com seus subúrbios povoados de africanos."

Daniel não gostou das questões. Ambíguas, ele disse.  Concordei. Justifiquei: extrai da mídia, opiniões sobre as duas cidades.  Ele topou então o que eu queria: ultrapassar o senso comum, o pensamento com imagem, desmanchar a ideologia do feio e bonito.

"Feio é não saber pensar"

Em breve colocarei aqui o depoimento na íntegra.  E pra já adiantar mais uma coisinha, uma referência que o Daniel faz ao belo em Lautréamont:

“O escaravelho, belo como o tremor das mãos no alcoolismo, desaparecia no horizonte.”

Marguerite Duras
O Daniel escreveu um livro mais que interessante e que está no prelo. Águas Belas - Alcoolismo, Literatura e Filosofia. ESCRITA DO DESASTRE. Belo nome. Águas Belas. Eu lí. Vocês vão ler. Vai sair. Aguardem. A terra vai girar. Você vão sentir. Vertigens. Corpos sem órgãos. E vão mergulhar nas águas belas com Marguerite Duras. Sofrimento e gozo das mulheres.... Com Deleuze, o que faz do alcóolatra um conceito. E Daniel faz do boteco um espaço democrático que abraça a dor do corno. É demais. É por aí e muito mais. Etc.  É O LIVRO MAIS BONITO EMOCIONANTE QUE JÁ LÍ!!!
Por enquanto, até vir o livro pras livrarias, quem quiser pode ver aqui outra palestra do Daniel, na íntegra, Deleuze e o álcool.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

No meio da Paulista tem um parque

Encontrei o Daniel Lins na avenida Paulista esquina com Augusta. A arte de passear. Tomamos café (sem pão e com bolo) no Cine Unibanco. Passeamos pela Augusta e gravamos um depoimento. São Paulo é feia? Perguntei. Ele respondeu indignado. Que pergunta!!! Gravamos. Pegamos a Paulista e descemos. O Daniel Lins gosta de São Paulo e da  Avenida Paulista


e, no meio, um parque. 

Foi casa do Conde Matarazzo, hoje é museu e parque.




Avenida Paulista
"Todos os estilos ancoraram no cais mole do asfalto fidalgo...Dentro daquele parque fuma goiano um califa enriquecido com uma fábrica de alpargatas da Rua 25 de Março. O Sr. Conde está bebendo Chianti servido por um criado de libré. Até as colunas de mármore são de cimento armado. E domingo, em Roles Royce ou em Ford, passaremos em revista na parada do corso todos os candidatos à consagração da Avenida."
Menotti Del Picchia


Descemos a avenida Paulista até o Masp, descemos a Alameda Casa Branca, ao lado do Masp. 

VivaLina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E Assis Chateaumbriand!!!!!!!!
Que fizeram o MASP acontecer. Que acontecimento! Bem em frente ao parque.





O Masp foi inuagurado em 1968 com a presença da Rainha  Elizabeth II , da Inglaterra.








Descemos, descemos. Deixei o Daniel na Fundação Getúlio Vargas, na avenida 9 de julho. Tomei um ônibus que passou pelo túnel que passa por baixo do Masp e do Parque.

As obras de abertura da Avenida 9 de Julho foram iniciadas em 1929, no Vale do Saracura (onde antigamente prosperava denso bosque, refúgio de escravos fugidos). Inaugurada em 25 de janeiro de 1941 pelo prefeito Prestes Maia, liga o Vale do Anhangabaú aos bairros da Zona Sul. O túnel, foi considerado a maior obra viária urbana daquela época, com seus 460 metros de comprimento, escavados 30 metros abaixo da Avenida Paulista.  



São Paulo é feia?
Que pergunta boba!!!




Café com pão

Daniel Lins não acha São Paulo feia...
Ama coisas e choses nela.









Dentre elas...,
em qualquer lugar, qualquer esquina, centro ou periferia,  TEM CAFÉ COM PÃO.


Aos que em qualquer lugar
de qualquer jeito 
 amam café com pão
e Manuel Bandeira!



Se der problema neste link, vá direto clicando  aqui para o Youtube.  Imperdível. Cenas do filme de Joaquim Pedro de Andrade, O poeta do castelo, com Manuel Bandeira. Lindo!!!


Céu de Magritte


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Maio

Mês das mães. Mês da Bel, minha irmã cor de mel, taurina, fortaleza das Minas e minos. Mãe da Carol, do Andirá e do Léo. Distâncias territoriais, presentes de coração.

Bel, pra você a radiomarta oferece no seu aniversário uma música  que está lá na nossa infância, Tico Tico no Fubá,  tocada por alguém que você gosta muito: Paco de Lucia. 

Amazônia: sopa de povos e línguas


Samuel Benchimol
 (Manaus - 1924 -2002)
 Ontem o amigo Allen voltou da Amazônia muito entusiasmado com toda a complexidade que viu por lá. Me falou  um pouco disso e em Samuel Benchimol, o principal pesquisador da cultura e sociedade amazônica com mais de 100 livros publicados. Alguns  ele trouxe e me prometeu emprestar. Fiquei curiosa e procurei na internet. Eis que descubro mais uma de minhas vastas ignorâncias. O cara é um fenômeno, sua obra importantíssima. Vou ler depois que terminar Yuxin da Ana Miranda, um romance belíssimo com uma história que se passa na floresta amazônica. Vou sendo tomada pela Amazônia e suas intelínguas musicais.   




Nossas cidades

Maud, que bom que você postou. Amanhã vou postar  sobre essa questão da feiúra (??????????????)  dos subúrbios ou periferias das nossas cidades. Hoje tenho que trabalhar muito. Ontem postei bastante enquanto aguardava esse trabalho. Ele chegou, mas amanhã eu volto aqui e vou ver os links que propõe e transcrever o depoimento do Daniel Lins sobre Paris e São Paulo. Depoimento, aliás, gravado debaixo de chuva, sentados numa marquise perto da avenida Paulista. O único lugar que tinha algum silêncio para gravarmos. Ficou muito bom. 
Se você se entusiasmar com o Artaud, mês que vem vamos fazer uma cobertura legal do lançamento do livro Antonin Artaud - o artesão do corpo sem órgãos. Fico feliz de poder ler esse livro cuja edição primeira está esgotada e eu li na tela do computador, o que é péssimo, apesar do livro ser muito bom e daqueles que mexem/violentam o pensamento banal.
Demain, je serai ici avec notres villes et banlieues.
 abraço amiga. Marta



Fonte das fotos:
O som que salva, Kátia Melo ;
Frankreichs Vorstädte - weiterhin explosive Problemzonen, Christian Müller

Feiura dos suburbios ? Laideur des banlieues ?

Querida Marta,
sei que daqui a pouco vai postar um material muito interessante sobre as diversas visões dos suburbios nas cidades respectivas onde moramos. Na França teve uma polemica, até um livrinho, do antropologo Eric Chauvier contra um artigo do semanal Telerama que coloquei aqui "como a França se tornou feia"
http://www.telerama.fr/monde/comment-la-france-est-devenue-moche,52457.php
Eric Chauvier se revolta contra essa visão dos suburbios feios que, de fato, poucos jornalistas de telerama conhecem ! O livro dele http://leblogdelaville.canalblog.com/archives/2011/01/10/20088724.html
tenta aproximar-se desse povo que mora na sombra ...
espero seu material !!!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sopa de línguas

Há amigos que querem postar mas não têm paciência de criar uma conta google, então escrevem para o meu e-mail. Um deles comentou a sopa (outra vez a sopa!), de línguas. Ele não gosta da sopa que faço misturando línguas. Acha que estraga a nossa língua portuguesa e as outras... Eu entendo. Clama pela pureza da língua. Não entendo. Não há língua pura. É tudo mistura. Os povos se misturam, as línguas acabam se misturando também.

Eu gosto da sopa de línguas. Meus devires linguísticos vão por aí. Se tivesse tempo estudaria as línguas mais ensopadas como o dialeto Hakitia falado pelos judeus marroquinos na Amazônia.  La mialegri! E também o Nheengatu ainda falado pelos caboclos na Amazônia. Brasil, ker pi upé, coaracyáua.  E muitas outras.
Morte bailarina
                                
No terceiro andar
na asfixia.
Que pode o corpo?

Pode tudo a dobra
no ar.
Vôo do corpo.

Desdobra redobra
na Terra.
Vida-obra Deleuze.




"Não se deveria conter uma vida no simples momento em que a vida individual afronta a universal morte".
Gilles Deleuze

Só tem feras nessa NAFOTO
Da esquerda para a direita: Juvenal Pereira, Isabel Amado, Eduardo Castanho, Marcos Santilli, Stefania Bril, Nair Benedicto, Fausto Chermont, Rubens Fernandes Junior e Eduardo Simões (Rosely Nakagawa, ausente no dia). Foto de Mark James.
 Há quem  fotografe alguns dias e  há aqueles incansáveis guerreiros da excelente  fotografia. É o caso dessa galera NAFOTO.
Os queridos amigos Paula Palhares Fernades e Rubens Fernandes me enviaram o convite que retransmito.



Chez Deleuze



A vaidade do poder


Detalhe da foto de Mubarak
com seu terno personalíssimo!!!


Thansks Byron Kaldis for the photo.   


A linguagem escancarada de sangue e desejo de Antonin Artaud







Vem aí,
a Relume-Dumará vai relançar Antonin Artaud - o artesão do corpo sem órgãos , de Daniel Lins.

NE ME QUITTE PAS

Para Maud / Pour Maud 
Cadê você?
Où êtes-vous?  

Ne me quitte pas 


Maria Gadu


Sting


Jacques Brell



Maysa

Cosmologia dos índios do Brasil




"A observação do céu esteve na base do conhecimento de todas as sociedades antigas, pois elas foram profundamente influenciadas pela confiante precisão do desdobramento cíclico de certos fenômenos celestes, tais como o dia-noite, as fases da Lua e as estações do ano. O índio brasileiro também percebeu que as atividades de pesca, caça, coleta e lavoura obedecem a flutuações sazonais. Assim, ele procurou entender essas flutuações cíclicas e utilizou-as, principalmente, para a sua subsistência."

Germano Bruno Afonso

Ver também: Mitos e Estações no céu Tupi-Guarani / Scientific American Brasil
E também: Estrelas e Unidades do Tempo / Karipuna